Paranóia Social

Nobody dies a virgin, life fuck us all - Kurt Cobain

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April 9, 2012 9:11 am

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9:07 am

Você que desaparece da minha vida

9:02 am March 19, 2012 10:22 pm

Homens não Choram

“Homens não choram.”

 A primeira vez que lembro de ter escuta essa frase, foi quando meu pai tentou me ensinar a andar de bicicleta sem as rodas pela primeira vez, não sabia do mundo quase nada, havia acabado de chegar nele.

 Eu cai e com o joelho machucado enquanto as lagrimar escorriam dos meus olhos, meu pai lançou a frase, ensinado por seu pai, e seu pai entes dele; “Homens não choram”.

 Lembro de ter aceitado a máxima dada pelo meu pai e  me levantado, segurando ainda o choro ocasionado pela lesão nos joelhos, e então voltado a bicicleta para novamente tentar dominá-la para por fim cair novamente.

 Após muito treino dominei a arte que meu pai tentava me ensinar, não chorei mais, agi da maneira que um verdadeiro homem deveria agir, até que um dia, lá pelos 12 anos me apaixonei por algo perigoso e indomável, leitura. O fato de eu poder entrar na história contada e tecida por mãos hábeis e mentes muito mais cultas que a minha,junto com o fato de poder ser quem eu quisesse, de um ferreiro que sai do anonimato para salvar sua amada até um criador de porcos que conseguiu mudar o destino de sua terra, me encantou, e com a leitura veio a tristeza.

 A depressão acompanha lado a lado aqueles que procuram se aprofundar em sentimentos já extintos e lugares utópicos. Não foi diferente comigo.

 Eu lia sobre jovens nobres que por sua paixão matavam dragões e detiam feiticeiros terríveis, sobre rapazes que com seu amor cativavam o coração de várias mulheres, e, fiz meu primeiro erro, indaguei.

 Via o mundo a minha volta, no lugar de nobres via mendigos, e no lugar dos príncipes os vilões, os mesmos que em incontáveis aventuras junto com o herói tão puro e socialmente inferior venci e comemorei a extinção.

 Quando me apaixonei achei que era um desses heróis e, como eles, dei tudo o que tinha, minhas terras e meu coração. Mas no mundo de hoje, não há espaço para o coração e o que há nele, somente terras.

 Nem preciso contar como me senti ao descobrir tal fato, a incapacidade e depressão que me trouxeram os novos tempos. Vivemos mais do que nunca antes visto na história humana, mas amamos muito menos. Meninas procuram larápios ao invés de príncipes, grandes corporações só ligam pros lucros e não para seus funcionários… Ai me perguntei: “Será que eu sou o erro?”

 Lembro de passar dias com essa questão na cabeça, e a resposta me veio de onde menos imagine.

 Encontrei certa noite, La pelo fim de minha adolescência, um morador de rua, que chorava, e resolvi lhe perguntar o porque de tanto pranto. A resposta me surpreendeu:

 Eu lhe disse:

- O que há meu caro, para quem são destinadas todas essas lágrimas?

- Para você! – Respondeu-me ele com os olhos inchados e em seguida voltando a desabar em lágrimas.

- Como para mim? Que eu lhe fiz? Nem lhe conheço pobre homem.

- Há… Pobre rapaz… Acha que realmente o mundo gira em torno de ti? É previsível… Como todos os homens antes de ti… Por que eu choro você me pergunta? Bem, comida não me falta, sempre hei de achar meios de me manter forte, nem água me é um problema, quando o céu decide mandá-la eu me abasteço por um mês… Falta de amigos deve estar pensando? Há, não me faltam deles, jê tive muitos e muitos mais virão, isso é o que eu lhe digo…

- Mas então porque chora meu pobre homem? – Perguntei já inquieto e imaginando 1000 respostas.

- O que me falta? Há mim nada…

- Nada??

- Nada… Falta aos homens e mulheres que vivem essa época tempestuosa que nos aflige… Falta amor! Minhas lágrimas são para aqueles que foram criados oprimindo seus sentimentos… Para aqueles que endeusam o corpo e não a alma… Ó meu caro… Quantos jovens têm de morrer para perceber que a vida é muito curta para apenas festejar? – E voltou a seu pranto inconsolável.

 Eu após a resposta do maltrapilho dei meia volta e retornei a minha casa, acendi um cigarro, sentei em minha poltrona virado para a janela e, pela primeira vez desde os meus 8 anos, chorei. Eu não estava com nenhum ferimento exposto como havia sido anteriormente na minha época de criança, o ferimento estava mais profundo, no meu coração e em meu cérebro. Maquinei coisas e fórmulas abstratas durante toda a noite e a manhã seguinte, até finalmente adormecer com um cigarro apagado entre os dedos.

 Acordei assustado por conta de um sonho que tive, nele todos os meus conceitos sociais foram apagados e redigidos, sabia o que fazer. Agarrei meu casaco e saí na manhã fria de começo de inverno, a geada ainda estava sobre os jardins das casas, meu cérebro não parava, fui em um andar uniforme e rápido até o ponto que havia encontrado o pobre homem na noite anterior, me sobressaltei ao ver uma multidão reunida na rua, todos pareciam chocados e tristes e fui ver o que causara tanto pesar no povo.

 Vi seus olhos olhando para um horizonte do qual só os mortos tem consciência, pequenos cristais brilhavam ao redor de seus olhos, eram suas lágrimas para sempre solidificadas.

- Deve ter morrido de frio na noite anterior – Disse um homem bonachão que olhava sobre seu soberbo bigode o corpo estendido no chão – Bem, menos um maltrapilho para ocupar nossas ruas…

Um nó se fez em minha garganta, minha visão ficou turva por conta das lágrimas, e então, desabei em pranto. Todos me olhavam assustados e um policial veio me perguntar se conhecia o velho homem estirado no chão, ao que eu somente balancei positivamente a cabeça.

- Quem era ele então? Familiar? Amigo? Vamos! Fale rapaz! – Disse o policial com seu ar vazio e autoritário.

- Um filósofo… – Essas foram minhas únicas palavras, as únicas que consegui balbuciar entre um soluço e outro.

 Aos poucos as pessoas foram se retirando, o espetáculo havia tido seu ápice e agora acabava.

 As damas iam embora com um olhar de desgosto pelo maltrapilho morto e o rapaz de joelhos chorando, iam com seus homens atléticos e já bêbados para suas casas pois a noite havia sido longa.

 Então vi, o que o velho quis me dizer na noite anterior, e entendi a frase que, não sei se por falta de compreensão, meu pai me disse a anos atrás. A verdade é, que atualmente, só os verdadeiros homens choram, o resto, fica com os prazeres da vida.

December 21, 2011 3:13 am
"‎”Ela desprendeu-se, para ele, das qualidades carnais das quais nada iria obter; e, em seu coação, ela foi sempre subindo e desligando-se à maneira magnífica de uma apoteose que levanta voo. Era um daqueles sentimentos puros que não atrapalham o exercício da vida, que se cultivam porque são raros e cuja perda traria mais aflição do que a alegria que poderia trazer a apoteose."

Gustave Flaubert - Madame Bovary
December 7, 2011 10:09 pm
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10:05 pm
o.O

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